sábado, 9 de maio de 2009

Intervenção do Presidente da Direcção na reunião de Câmara de 05.09.2007

Senhor Presidente, Senhores Vereadores:
Esta minha intervenção deveria ter ocorrido ainda na vigência do anterior Executivo mas devido à precipitação dos acontecimentos, de todos conhecidos e à sua consequente queda, isso não foi possível. Estas matérias nada têm a ver com o actual Executivo de que V. Excia é Presidente e, de certa forma, quero pedir alguma compreensão pela forma tão vasta e circunstanciada, quiçá maçadora, como vou expor os problemas.
No dia 01.08.2007, a AM enviou a V. Excia o ofício nº 75, solicitando uma audiência com carácter de urgência. A resposta, recebida ontem, informava que o assunto mereceu a melhor atenção e que foi encaminhado para a Senhora Vereadora Ana Sara Brito.
Receando que o referido ofício seja objecto de um tratamento demorado, mais uma vez senti necessidade, na qualidade de Presidente da Direcção da AMBC, de me deslocar a este local, para em nome dos seus associados, solicitar a V. Excia uma especial atenção ao Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas (PRBC) que se arrasta penosamente ao longo de uma dezena de anos, de forma a resolver situações que nunca deveriam ter existido mas que por má vontade, incompetência ou mesmo por vingança dos Departamentos atrás citados, a quem dirigimos mais de quatro dezenas de ofícios sem obtermos uma resposta, ainda hoje persistem e muito penalizam as famílias que se encontram nessas circunstâncias.
Antes de prosseguir, quero perguntar a V. Excia se desde que tomou posse, já foi informado sobre os diversos assuntos por resolver, relativos ao Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas e se sabe dos graves problemas que afectam a Alta de Lisboa, devido à forma como foram geridos, pela DMH e pelo DGSPH, os realojamentos no PER 10, 11, 12 e 13. Se realmente V. Excia nada sabe sobre esses problemas e tiver vontade de conhecê-los, desde já me disponibilizo e comprometo a proporcionar-lhe uma visita guiada, mostrando-lhe muito mais do que irei referir nesta minha intervenção.
Todos esses problemas foram exaustiva e detalhadamente expostos ao antecessor de V. Excia mas na realidade, os problemas existentes à data da sua tomada de posse (28.10.2005), continuam por resolver porque não houve vontade e empenhamento da sua parte em cumprir o que prometeu.
A Associação de Moradores fez graves denúncias ao Senhor ex-Presidente da Câmara que têm a ver com inúmeras irregularidades cometidas ao longo do Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas e nem um passo foi dado, no sentido de apurar responsabilidades. Dessa atitude do anterior Executivo, resultaram alguns graves problemas que continuam por resolver, entre os quais a atribuição de casas a pessoas que não são associadas e que nem residiam no Bairro há vários anos. Num dos casos, a população revoltada com a gravidade da ilegalidade cometida, só possível com a cumplicidade dos Serviços da Câmara, impediu que a casa fosse habitada e enviou um abaixo-assinado ao Senhor Presidente da Câmara, relatando os factos, ao qual nunca foi dada uma resposta.
Neste caso, o Senhor Vereador da Habitação Social deu instruções ao DGSPH, para não entregar as chaves do lote 30 da malha 27.1 ao associado, porque se apropriou ilegalmente de uma casa que não lhe tinha sido atribuída, até se concluir a investigação que ia mandar fazer. De facto, as chaves não lhe foram entregues no dia da cerimónia (01-02-2007) mas conseguiu que lhas dessem logo no dia seguinte e a investigação ficou por fazer. E esta tem sido, sistematicamente, a forma de actuar da CML, relativamente à Associação de Moradores que enviou cerca de quatro dezenas de ofícios à DMH (Direcção Municipal de Habitação) e DGSPH (Departamento de Gestão Social do Parque Habitacional), todos relacionados com o PRBC, solicitando as mais diversas informações, esclarecimentos e envio de documentos e nunca lhe foi dada uma resposta. Acresce que a maioria das vezes eram os associados, a quem tínhamos o dever de informar que nos davam, em primeira-mão, as informações que solicitávamos àqueles Departamentos. Outras vezes, encontrávamos as respostas na Internet ou publicadas no Boletim Municipal.
Como parceira de um Projecto, a AM devia ter sido tratada em situação de igualdade mas isso nunca aconteceu. Denunciámos essas situações inúmeras vezes mas esse justo procedimento só serviu para engrossar o número daqueles que nos queriam mal e que ao longo do Processo tudo fizeram para dificultar a nossa acção.
Dizer a verdade, aqui ou em qualquer outro local, é o mínimo que temos obrigação de fazer. Assim, neste momento, a AM que tinha uma das melhores, senão a melhor Colectividade de Bairro de Lisboa, com uma Sede Social de cerca de 500 m2 de superfície coberta e um Polidesportivo completamente fechado, com 3 conjuntos de balneários, cabine para árbitros e Posto de Socorros, encontra-se impossibilitada de exercer normalmente a sua actividade porque a CML não executou as obras necessárias na nova Sede, tal como se havia comprometido.
O actual Senhor Director da UPAL, Engº Fernando Rosado de Sousa, não obstante lhe ter sido transmitido pelo seu antecessor o que estava acordado, informou a AM que a UPAL não tinha dinheiro para executar as obras e que também não podia assumir qualquer compromisso com os comerciantes.
Devo lembrar a V. Excia, a título de esclarecimento que nos realojamentos efectuados nas Musgueiras Norte e Sul e Quinta Grande, aqueles de que tenho melhor conhecimento, inseridos na mesma área, as Colectividades foram contempladas com obras nas suas Sedes, realizadas pela UPAL e até alguns vendedores de rua tiveram direito a lojas em condições especiais.
Estamos há cerca de três anos sem Sede e sem possibilidades de executar as obras necessárias, redundando esta situação em claro prejuízo para a Colectividade e para os seus associados porque não têm local de convívio e não é possível dar continuidade, ao longo do ano, às inúmeras iniciativas de carácter social, recreativo e cultural.
Não é justo que uma Colectividade de Bairro se tenha empenhado, ao longo de alguns anos da sua existência, com grandes sacrifícios dos seus dirigentes, na construção de uma Sede e de um Parque Desportivo, mobilizando também toda a Comunidade a colaborar nessa tarefa e onde gastou mais de 35 mil contos, tenha agora que passar por esta situação, por falta de cumprimento dos acordos celebrados entre a CML e a AMBC. É imperioso que a CML resolva este problema o mais rapidamente possível e, para isso, contamos com a compreensão, sensibilidade e sentido de equidade de V. Excia.
Quando o antecessor de V. Excia tomou posse em 28.10.2005, estava tudo acordado com o então Senhor Director da UPAL, Dr. Carlos Moura de Carvalho que acompanhou todas as negociações com o Executivo Camarário, para que esta Entidade e a SGAL executassem, na nova Sede, as obras necessárias e se procedesse à construção de um recinto desportivo, embora mais modesto, localizado junto ao novo Bairro, no lado Este do Bairro dos Sete Céus. De igual forma, estava acordada a transferência dos comerciantes que previa a execução de algumas obras nas lojas e a celebração de um protocolo de cedência das mesmas, em condições de arrendamento especiais, de molde a atenuar os investimentos feitos nos seus estabelecimentos e todas as taxas e rendas pagas à CML durante cerca de três décadas.
Também os problemas que surgiram depois relativamente aos processos de uma dúzia de associados, só aconteceram porque houve mudança de Executivo. Bastava que se tivesse mantido a Senhora Vereadora da Habitação Social, com quem foi negociado e acordado todo o Processo, para que o Realojamento do Bairro das Calvanas tivesse sido totalmente concretizado, sem qualquer problema.
O Executivo camarário resultante das Eleições Autárquicas de Outubro de 2005, porque não estava dentro dos assuntos e porque não houve uma correcta passagem de testemunho, aceitou informações dos Serviços completamente viciadas e, por esse motivo, foram criados problemas onde nunca existiram e o Senhor Vereador e os seus assessores sabem disso.
A DMH e o DGSPH, realizaram realojamentos ilegais, não cumprindo o que está estipulado na Proposta nº 161/2006 nº 1, alínea c) que atribui à Associação de Moradores a “indicação da forma de distribuição aos associados, das moradias e dos fogos em edifício multifamiliar”. Os Departamentos atrás citados trataram a AM e os seus dirigentes de forma altista, insensível e prepotente, recusando sistematicamente a sua colaboração e negando-se a fornecer as informações que lhes solicitávamos. Nunca nos pediram uma informação sobre os nossos associados.
Os Departamentos a que me venho referindo, levaram a cabo, na Alta de Lisboa, uma política de realojamentos completamente ruinosa, não só para as Entidades mais directamente envolvidas no Projecto (CML e SGAL), que não conseguem vender as centenas de casas que se encontram concluídas, algumas há anos, mas também para toda a população aí residente, cuja maioria comprou as habitações quando ainda se encontravam em construção e que agora, face à actual realidade, decepcionados com o ambiente que os rodeia, nem com algum prejuízo, conseguem vender.
Tudo isto acontece porque em toda a Alta de Lisboa, no PER 10, 11 e 12 (chegando-nos rumores que se preparam para fazer o mesmo no PER 13), foram realojadas pessoas que nunca viveram nem tão pouco desejam viver em sociedade. São pessoas que têm hábitos e costumes completamente diferentes que devidamente avaliados, deveriam provocar uma séria reflexão sobre o modelo de integração em vigor.
Que nos perdoem a nossa franqueza e a nossa frontalidade pois vivemos numa Sociedade onde reina o cinismo e a hipocrisia, mas este tipo de iniciativas, quase sempre da responsabilidade do Poder Político e desacompanhadas de medidas complementares de inserção, estão condenadas ao fracasso, uma vez que toda a gente sabe quem são essas pessoas, como vivem, do que vivem e para que vivem; não têm um emprego, a sua grande maioria dedica-se a actividades ilícitas nos locais onde habitam, transformam a vida das pessoas num inferno, porque não respeitam ninguém e sem motivo ou razão insultam e agridem porque o seu objectivo é, através desta prática, atemorizar e aterrorizar as pessoas, de molde a imporem a sua lei pela medo e pela força.
O Serviço de autocarros porta-a-porta, na Alta de Lisboa, acabou porque essas pessoas monopolizavam o Serviço, de forma abusiva e obrigavam os motoristas a levá-los onde elas quisessem e caso se negassem, eram insultados e agredidos. Actualmente, a recolha de lixo tem acompanhamento policial porque os carros e os funcionários eram corridos à pedrada. Todos os estabelecimentos comerciais onde essas pessoas entram, têm fortes razões de queixa porque para além de se apropriarem indevidamente das coisas, são a causa do afastamento de potenciais clientes. Nos locais onde vivem fazem coisas incríveis que não são permitidas ao cidadão comum e que passam impunes, como por exemplo servirem-se da electricidade e da água da rede pública e, por vezes, violando até os ramais de outras famílias; cozinham nos passeios, despejando nos mesmos, as águas da confecção dos alimentos e toda a espécie de lixo. Famílias que vivem em casas seguidas, fazem ligações pelo interior, demolindo paredes. Noutros casos, os titulares das habitações quando não querem estar mais naquele local porque não gostam ou porque já são muito conhecidos e têm dificuldade em se orientar, passam a casa a outras famílias, sem conhecimento dos Serviços da Câmara e nada lhes acontece; ocupam as casas que se encontram vagas, por arrombamento e violam as caixas do correio. Depois, nos prédios onde vivem, para além de produzirem ruído excessivo, com música que dava para animar um arraial, as portarias estão constantemente escancaradas e arrombadas, porque partem os vidros e dão cabo das fechaduras; os elevadores são maltratados e estão quase sempre avariados; os jardins, parques infantis, e todas as estruturas de recreio e diversão das redondezas, são constantemente vandalizados; juntam-se em grupos numerosos e aterrorizam e maltratam tudo e todos; ainda na semana passada vi no Parque Oeste ou Parque do Vale Grande, um desses grupos que atirava pedras à única estátua ali existente do artista Colombiano, Fernando Botero “Par de Namorados”. Dois funcionários da Câmara que chegavam ao local, numa carrinha de caixa aberta, tentaram intervir mas de imediato foram vítimas da sua fúria e tiveram que fugir, para não serem agredidos mas foram insultados e corridos à pedrada. Mais em baixo, no lago, já inundado de toda a espécie de lixo, outro grupo de 10 a 15 jovens, tomava banho, completamente nus. As pessoas mesmo que tenham vontade de frequentar aquele local, por sinal um belíssimo e extenso Parque, são obrigadas a afastar-se para não passarem por situações desconfortáveis e angustiantes. Ainda recentemente, funcionários da Empresa que cuida dos espaços verdes no nosso Bairro, foram obrigados a fugir porque estavam a ser atingidos com disparos de uma arma de pressão-de-ar. Vários funcionários ficaram com as marcas do chumbo em diversas zonas do corpo e o caso foi entregue às autoridades. Noutra ocasião, os carros apareceram cobertos com um pó branco e as autoridades foram também chamadas a intervir.
É este o retrato da Alta de Lisboa, tirado por alguém que vive os seus problemas há cerca de três dezenas de anos e que constata, com alguma desilusão, que o Projecto idealizado, ainda na década de 80, para esta área, por alguém que se notabilizou como Presidente da Câmara Municipal de Lisboa mas há muito desaparecido do número dos vivos, em muitos aspectos, não passa de uma miragem.
É nesta área geográfica da Alta de Lisboa, no designado PER 13 que está situado o nosso Bairro. A insegurança é muita, as pessoas têm medo e já várias sofreram assaltos à mão-armada. As habitações, devido à sua característica arquitectónica, são muito vulneráveis. É com grande facilidade que os marginais saltam para o seu interior, tanto pela frente como pelas traseiras. Os furtos acontecem quase todos os dias e tudo serve para levar; até os vasos das plantas mas também não escapa a roupa, calçado, mobiliário, brinquedos, automóveis, etc.
Logo em Fevereiro quando tomámos conta das casas, após os primeiros incidentes e conscientes do que estava para vir, enviámos para a UPAL (Unidade de Projecto da Alta de Lisboa), um processo para colocação de grades, iguais ao modelo já existente no Bairro, solicitando a respectiva autorização mas até hoje não obtivemos qualquer resposta.
Têm V. Excias conhecimento destes factos? Visitam estes locais? É necessário e imprescindível o vosso contributo para alterar este estado de coisas, indignas de um País que se diz civilizado e democrático. O trabalho no terreno, para quem estiver interessado em conhecer a realidade e poder falar e agir com conhecimento de causa, é tão importante como o trabalho de gabinete.
Pelo conhecimento que temos da situação, podemos dizer que as autoridades não actuam sobre essas pessoas, na proporção dos seus delitos e, de certa forma, a impunidade que se verifica dá-lhes ainda mais força e contribui para que as vítimas se retraiam e tenham medo de fazer qualquer tipo de denúncia, por causa das represálias.
Por outro lado, é obrigatório perguntar: a quem devemos atribuir a responsabilidade da péssima gestão dos realojamentos provisórios? Dezenas de famílias foram obrigadas a mudar de casa, causando-lhes essa situação inúmeros incómodos e prejuízos e forçaram também a Câmara a despender verbas avultadas que podiam ter sido aproveitadas para solucionar muitos outros graves problemas, inclusive aqueles que dizem respeito ao Realojamento do Bairro das Calvanas e que aqui estamos a expor a V. Excia.
Os realojamentos provisórios foram feitos contra a vontade da AM e dos seus associados, justamente, porque ao longo das negociações sempre foi garantido que as famílias sairiam de Calvanas directamente e definitivamente para as novas casas. A CML, invocou como principais argumentos, a urgência da construção do Eixo Central e da Avenida Santos e Castro mas até hoje, o Eixo Central continua por construir e apenas existe em funcionamento precário, a velhinha Santos e Castro porque a nova avenida, ninguém sabe quantos anos mais ainda vai demorar a concluir.
Então se nada foi feito ainda, até hoje, naquele espaço, resultante da demolição das casas, nos últimos quatro ou cinco anos, porque foram aquelas famílias ocupar provisoriamente casas novas, no PER 10, 11, 12 e Quinta dos Barros e passar por situações muito difíceis e traumatizantes, se podiam ter seguido directamente, no final de 2006, para o novo Bairro? A esta e a muitas outras questões, nunca ninguém deu resposta.
Ao longo do Processo de Realojamento, especialmente a partir de 1999, muitas famílias de Calvanas foram pressionadas pelas Senhoras Técnicas(os) do DGSPH para aceitarem ser realojadas em diversos pontos de Lisboa (Alta de Lisboa, Paço do Lumiar, Alto da Faia, Rego, Olivais, etc.), dizendo-lhes que não ia ser construído nenhum Bairro para realojar a população de Calvanas e que a AM os andava a enganar. Por isso, se não aceitassem o realojamento que a Câmara lhes propunha, se arriscavam a não ter direito a nada. Perante tanta coacção, algumas famílias acabaram por ceder e aceitaram as propostas das Técnicas, de nada valendo os desmentidos da AM.
Ao longo dos anos, houve por parte do DGSPH, uma actuação concertada para separar a Comunidade de Calvanas e, ao mesmo tempo, descredibilizar a AM e contrariar os seus objectivos. Tanto a Senhora Directora Municipal como a Senhora Directora do DGSPH, participaram nas reuniões em que esteve presente a AM e se negociou a construção do novo Bairro (151 habitações, correspondentes ao número total de famílias associadas a realojar), com a Senhora Vereadora da Habitação Social. As Senhoras Directoras, mesmo sabendo a verdade, permitiram que nos seus Departamentos se transmitissem informações incorrectas aos moradores e até hoje, não conseguimos entender o alcance de tal procedimento.
Dessa incompreensível actuação resultou esta triste e desoladora realidade: as famílias de Calvanas foram coagidas a aceitar um realojamento que não desejavam porque queriam continuar a pertencer a uma Comunidade a que estavam ligadas por laços de amizade há mais de 30 anos.
Em contrapartida, estão a ser realojadas no Bairro, nas casas que foram construídas a contar com aquelas famílias, pessoas vindas de outros locais de Lisboa, causando tal actuação do DGSPH, revolta e indignação na Comunidade de Calvanas que ainda resta. Esse Departamento considerou pessoas associadas que o não eram e não considerou associados pessoas que a AM identificava como tal.
Havendo um Bairro em construção com capacidade para acolher cerca de cento e cinquenta famílias, todas aquelas que quiseram integrar o Projecto da AM, porque razão o DGSPH se empenhou em desviar essas famílias para outros locais? Qual foi o interesse? E quem deu essas directrizes? Todas as nossas perguntas, ao longo dos anos, ficaram, invariavelmente, sem resposta.
Viver num País que se diz civilizado e democrático e ser tratado desta maneira por Instituições do Estado, é algo que não prestigia essas Instituições, as pessoas que as dirigem e muito menos a democracia.
Sem me querer apropriar do mérito que cabe à CML pela realização de um projecto de habitação social arrojado, único no seu género, esta Urbanização foi idealizada e construída, graças ao empenhamento dos dirigentes da AMBC que durante dez anos, demonstrando uma coragem e uma perseverança sem limites, pressionaram os diferentes Executivos Camarários, fazendo-lhes compreender a justiça das suas reivindicações e nunca lhes concedendo um momento de tréguas.
Todas as casas construídas eram para venda aos nossos associados, aos preços que constam do Anexo II do Protocolo mas devido à exclusão de meia centena de famílias, essas casas estão por habitar. Há diversas famílias excluídas do direito de adquirir casa no PER 13, que necessitam de comprar casa e pretendem continuar a pertencer à Comunidade de Calvanas. Nesse sentido, estão interessadas na compra das casas que venham a sobrar, mesmo em condições diferentes daquelas que vigoraram para os nossos associados. É um assunto que tem de ser tratado com brevidade, porque as pessoas que se encontram à espera necessitam de organizar as suas vidas.
Por outro lado, sabendo-se que todas as casas construídas se destinavam ao realojamento das famílias de Calvanas, esta Associação de Moradores quer ter uma intervenção activa nos realojamentos que se vierem a efectuar nas habitações sobrantes. Alguém tem andado, deliberadamente, a ignorar a AM, pelo que esta situação precisa de ser rectificada, para que no futuro se possa proceder à ocupação dessas casas sem problemas e com a concordância e simpatia da Comunidade de Calvanas que ao longo da sua existência teve um comportamento exemplar.
Por tudo isto, Senhor Presidente, a audiência que solicitámos é amplamente justificada porque este conjunto de problemas expostos, por serem tão antigos e causarem grande transtorno às pessoas envolvidas, merecem uma solução rápida.
Muito obrigado Senhor Presidente e oxalá a AM tenha que voltar a este local em breve, para agradecer o empenho de V. Excia na resolução dos problemas apresentados.

Intervenção do Presidente da Direcção na Reunião de Câmara de 04.03.2009

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
Senhoras e Senhores Vereadores,
Senhoras Presidentes da Junta de Freguesia da Charneca e da Ameixoeira,
Senhor Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar,
Senhoras e Senhores Autarcas,
Minhas Senhoras e meus Senhores


Para todos, em nome da Comunidade de Calvanas, os meus respeitosos cumprimentos.

Gostaria, nesta oportunidade de aqui poder enumerar todos os problemas da Comunidade de Calvanas e identificar as suas causas mas como o tempo é escasso, dirijo-me de imediato ao Senhor Presidente da Câmara para lhe perguntar, na qualidade de Presidente da Direcção da Associação de Moradores do Bairro das Calvanas mas também na qualidade de munícipe e cidadão português, porque motivo não foi dada uma única resposta aos 32 ofícios que a Associação lhe endereçou entre Agosto de 2007 e Fevereiro de 2009, fazendo denúncias graves, solicitando informações importantíssimas para a vida da Associação e da Comunidade de Calvanas e pedindo, por várias vezes, o agendamento de uma reunião.
Achávamos que V. Excia estaria interessado em ouvir pessoalmente os dirigentes da AMBC para poder ter um conhecimento mais aprofundado e mais real sobre os problemas que lhe têm sido apresentados, quase todos da responsabilidade da Câmara, mas de facto estávamos enganados. É assim que V. Excia trata todas as Colectividades da área do Município? Se é, lamentamos imenso porque não é justo. Se não é, então reclamamos tratamento igual, porque não queremos ter nem mais nem menos direitos do que as outras.
Até hoje, a Associação de Moradores não recebeu uma única resposta sobre os muitos assuntos tratados nesses ofícios e tal situação, causou à Colectividade e aos seus associados, enormes privações, grandes transtornos e dificuldades e gravíssimos prejuízos morais e materiais.
À Senhora Vereadora foram também enviados 13 ofícios e diversos dossiês, acerca dos mesmos problemas e aos Departamentos que estão sobre a sua tutela, foram enviados 75 ofícios. A Senhora Vereadora não respondeu concretamente a nenhum ofício e os Departamentos que estão sobre a sua tutela fizeram a mesmíssima coisa.
Aliás, a Senhora Vereadora fez questão de dizer à Associação de Moradores, na reunião de 06.11.2007, que não tinha nada a ver com os acordos feitos com os anteriores Executivos e, em vez de nos ajudar a solucionar alguns problemas, ainda nos arranjou mais uns quantos, por sinal bem graves e penalizantes, os quais foram entregues à Justiça.
A Associação de Moradores, num quadro de dificuldades inimaginável, tinha feito um trabalho brilhante relativamente ao Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas e merecia tê-lo terminado com chave d’ouro. Tal só não foi possível porque a Senhora Vereadora actuou sem ter conhecimento sobre muitos aspectos do Processo de Realojamento e porque alguns responsáveis camarários não reconheceram esse trabalho, não cumpriram os seus deveres e quiseram afrontar, desautorizar e humilhar a AM, os seus dirigentes e associados.
Sem diálogo não há possibilidade de resolver diferendos. De todas as espécies animais, Deus apenas privilegiou o Homem com o dom da fala. Não aproveitar este dom tão precioso, para através dele proporcionar diálogo, entendimento, paz, harmonia e justiça, revela que muitos homens não alcançaram os Seus desígnios e, como tal, não foram capazes de atingir patamares civilizacionais muito superiores aos de outras espécies.
Porque a Associação de Moradores de que sou Presidente da Direcção sempre agiu de forma responsável e colocou a verdade acima de tudo, faço questão de deixar a V. Excia os ofícios que dissemos que enviámos e que podemos comprovar, porque foram todos registados e com aviso de recepção.
Não quero terminar sem de novo solicitar a V. Excia o agendamento de uma reunião, onde a Associação de Moradores possa ter oportunidade de demonstrar que tem razão nas reivindicações que faz à Câmara, fazendo questão de apresentar, na oportunidade, os documentos oficiais que comprovam essa razão.
Receber a Associação de Moradores, no mais breve espaço de tempo, é o mínimo que a Comunidade de Calvanas espera de V. Excia, Senhor Presidente da Câmara.
Muito obrigado.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Denúncias da AMBC ignoradas pela Câmara

A Associação de Moradores do Bairro das Calvanas (AMBC), fez inúmeras denúncias de irregularidades cometidas pelos Serviços Camarários, ao Senhor Presidente da Câmara, à Senhora Vereadora da Habitação Social, à Senhora Directora da Direcção Municipal de Habitação (DMH), à Senhora Directora do Departamento de Gestão do Parque Habitacional (DGSPH) e a vários outros Departamentos Camarários, ao longo do Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas (PRBC) mas todas elas inúteis porque essas Entidades da CML, se recusaram sistematicamente, a produzir qualquer resposta e a reparar as irregularidades denunciadas.
Para se ter uma noção do péssimo comportamento dos Serviços referidos, basta dizer que à DMH/DGSPH foram enviados cerca de sete dezenas de ofícios, solicitando as mais diversas informações e nem uma resposta foi dada. Ao Senhor Presidente da Câmara actual, já foram igualmente enviados cerca de trinta e dois ofícios, solicitando diversas informações e fazendo várias denúncias de irregularidades cometidas pelos Serviços Camarários e também não foi dada uma única resposta. À Senhora Vereadora da Habitação Social, a AMBC remeteu também quinze ofícios e obteve a mesmíssima resposta.
A Associação de Moradores, cansada de ser constantemente ofendida, humilhada, ignorada e desprezada por quem tinha o dever e a obrigação de ajudar, colaborar e respeitar e não o fez, endereçou essas denúncias à Procuradoria Geral da República, à Presidência da República e aos Tribunais, na esperança de obter Justiça.
Para conhecimento dos associados, publicamos a seguir, a denúncia enviada ao Senhor Presidente da República através do ofício nº 104/AMBC, de 05.12.2007, com o título "HÁ SEMPRE UMA ÚLTIMA ESPERANÇA".

Senhor Presidente da República:
A Associação de Moradores do Bairro das Calvanas lutou durante vinte e quatro anos pela legalização da sua habitação. Foi tudo muito difícil porque neste País, os pobres não contam e ninguém lhes dá ouvidos. As diferentes Entidades com quem tivemos que negociar, em especial, a Câmara Municipal de Lisboa, sempre nos trataram de uma forma pouco respeitosa, não aceitando a nossa colaboração que seria essencial e procedendo, quase sempre, de forma arbitrária. Foram anos de marginalização e desprezo que contribuíram para que o Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas se tornasse num verdadeiro Calvário para os seus habitantes. Os Departamentos da Câmara ligados ao Processo de Realojamento, estiveram sempre contra a Associação de Moradores, dificultando ao máximo o seu trabalho. Aos nossos associados diziam mal dos dirigentes e informavam que a Associação os andava a enganar e que se não fizessem o que a Câmara lhes pedia, perdiam o direito ao realojamento. Foi assim, com esta forma condenável de actuar que conseguiram que algumas famílias associadas aceitassem os realojamentos propostos.
A Associação de Moradores, ignorando tal actuação, continuou a trabalhar no duro para conseguir os seus objectivos e no final de 2006 viu, com grande satisfação, o Senhor Presidente da Câmara, em cerimónia realizada para o efeito, fazer entrega das chaves das novas moradias, aos nossos associados. Infelizmente, nem todos puderam ser contemplados no dia 01.02.2007, porque o DGSPH, para casos iguais, adoptou a partir de Junho de 2005, um tratamento diferente. Aquele Departamento sempre que falecia um membro do casal, imediatamente, administrativamente, passava a titularidade da habitação para o cônjuge sobrevivo. Mas a partir de 24 de Junho de 2005, data em que foi celebrado o Protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa, a Empresa construtora do novo Bairro (SGAL) e a Associação de Moradores do Bairro das Calvanas, definindo para quem eram destinadas as habitações que estavam a ser construídas no PER 13 e em que condições, a Direcção Municipal de Habitação e o Departamento de Gestão Social do Parque Habitacional, porque viram que os objectivos da Associação de Moradores vingaram e que as suas mentiras não podiam ser mais sustentadas, se até àquele momento tinham ignorado completamente a Associação de Moradores, a partir daquela data, de forma vingativa, procuraram por todos os meios, impedir que se cumprisse o que estava estabelecido naquele documento, recorrendo mesmo a ilegalidades.
Assim, a Direcção Municipal de Habitação (DMH) e o Departamento de Gestão do Parque Habitacional (DGSPH), cometeram uma série de ilegalidades que esta Associação de Moradores tem procurado denunciar e até agora ninguém lhe deu a devida atenção.
Reclamámos para a Senhora Directora da DMH e para a Senhora Directora do DGSPH e não responderam às nossas denúncias. Reclamámos para a Senhora Vereadora da Habitação Social e tivemos o mesmo resultado. Reclamámos para o Senhor Presidente da Câmara e também não obtivemos qualquer resposta.
Senhor Presidente da República
Que há maus funcionários, irresponsáveis, incompetentes e corruptos que não cumprem os seus deveres e que tiram proveito dessas ilicitudes, nós não temos dúvidas; o que nos indigna e revolta é o facto de denunciarmos as ilegalidades e constatarmos que as pessoas que as praticaram ainda são defendidas e louvadas pelos seus superiores hierárquicos. Como pode uma Associação de Moradores pobre, sem poder económico ou político, exigir justiça e respeito? Se fazemos as denúncias, os responsáveis camarários não as levam a sério e, por outro lado, para recorrermos à justiça, é preciso dinheiro que não temos e ninguém nos garante que aí venha a ser reposta a verdade, por se tratar de uma muito digna mas modesta Associação de Bairro.
O Protocolo diz que cabe à Câmara indicar quais os associados com direito ao realojamento e à Associação de Moradores indicar a forma de distribuição e atribuição das moradias aos seus associados. As habitações foram construídas para realojamento exclusivo dos associados indicados pela Associação de Moradores. Pois os Departamentos atrás referidos permitiram-se fazer aquilo que só a Associação de Moradores podia fazer e criaram situações ilegais, incríveis que nunca imaginamos pudessem acontecer e que não obstante todas as denúncias feitas, nada foi feito, até hoje, para repor a legalidade.
Eis algumas das situações protagonizadas pela DMH e pelo DGSPH de forma ilegal:
Não reconheceram como associados pessoas que a AM (Associação de Moradores) indicou como tal e que têm direito ao realojamento, reconhecido pela Câmara.
Reconheceram como associados, pessoas que a AM não reconhece como tal e que não têm direito a realojamento.
Substituíram-se à AM, atribuindo algumas moradias, o que é ilegal.
Desde 01.02.2007 que nove famílias esperam a entrega das chaves porque aqueles Departamentos entenderam actuar de forma diferente do que tinham feito até 24.06.2005, não considerando com direito a adquirir casa no PER 13, as viúvas e os viúvos e ainda os filhos que faziam parte do agregado familiar de pais falecidos. Nas cerca de nove dezenas de famílias que receberam as chaves em 01.02.2007, há trinta casos iguais que foram contemplados e que ocorreram antes de 24.06.2005.
Excluíram associados do direito ao realojamento, com os mesmos direitos de alguns a quem reconheceram esse direito.
Protelaram a entrega de documentos essenciais, como por exemplo, a listagem dos associados excluídos do direito ao realojamento. Comprometeram-se a fazê-lo em 2001 e só em Outubro de 2006, já com as habitações construídas e prontas a habitar nos foi entregue, prejudicando o trabalho da Associação de Moradores.
A Associação de Moradores enviou sessenta e dois ofícios (62) a estes Departamentos e não responderam a nenhum. Solicitou reuniões e não obteve resposta. Ofereceu a sua colaboração e foi sempre rejeitada. Pediu documentos e esclarecimentos e nunca os recebeu.
Assuntos que requeriam a presença da AM, foram resolvidos sem o seu contributo e sem o seu conhecimento.
Por outro lado, Senhor Presidente, os acordos com a Associação de Moradores previam a construção de todos os equipamentos existentes no Bairro das Calvanas. Ao longo do Processo, sempre foi garantido pelos diferentes representantes da Câmara que seria construída a Sede da AM, o Recinto Desportivo, o Parque Infantil e outros equipamentos que se viessem a considerar necessários.
Esses acordos não foram cumpridos e o recinto desportivo e o parque infantil não foram construídos. Quanto à Sede, entregaram à AM uma loja em bruto, não tendo a Colectividade qualquer capacidade económica para realizar as obras necessárias. A Associação de Moradores está sem sede desde 2003 e por isso não pode realizar junto da sua Comunidade o trabalho notável que sempre fez, ao longo de mais de duas dezenas de anos, no plano desportivo, recreativo, cultural e social.
As instalações existentes em Calvanas, eram das melhores ao nível das Colectividades de Bairro de Lisboa, com uma Sede com mais de 500 m2 de superfície e recinto desportivo completamente vedado e parte coberto, quatro conjuntos de balneários, posto de socorros e cabine para árbitros. A Associação de Moradores investiu naquelas instalações mais de quarenta mil contos e não é justo que a Câmara se negue agora a cumprir os acordos firmados, privando a Associação de Moradores de um património essencial para desenvolver as suas actividades e desprezando o esforço de toda uma Comunidade que ao longo de alguns anos contribuiu com o seu trabalho e dinheiro para a sua construção.
Senhor Presidente da República
Esta Associação de Moradores já fez tudo o que estava ao seu alcance para resolver estes problemas e não o conseguiu. Estamos a recorrer a V. Excia para que nos ajude a encontrar justiça e a fazer compreender à Câmara que não pode estar acima da Lei, que todos temos direitos e deveres, que os mais poderosos não podem enganar e humilhar os mais fracos, que todos, sem excepção, devem honrar os seus compromissos e que em qualquer Instituição, os funcionários que não cumprem as suas obrigações, devem ser objecto de censura, por parte dos seus superiores hierárquicos e sofrer as penalizações previstas na Lei. Os pobres precisam de encontrar alguém que os ajude a resolver as injustiças de que são vítimas porque neste País, são totalmente desprezados por quem desempenha funções governativas. O Estado, o Poder Político e o Poder Judicial parecem estar apenas ao serviço dos mais poderosos. Para os grandes grupos económicos tudo são facilidades no relacionamento com o Estado, o qual facilmente coloca à sua disposição milhões de euros, enquanto que para um pobre, esse mesmo Estado regateia uns míseros cêntimos. Alguma coisa está mal neste País. Ajude-nos, Senhor Presidente.
Esta Associação de Moradores tem documentos que comprovam a nossa razão e que os actuais responsáveis Camarários dizem que não têm valor nenhum porque não foram eles que intervieram nas negociações. Para esta Associação de Moradores, esta postura é inadmissível. O actual Executivo tem que respeitar os compromissos dos seus antecessores.

Senhor Presidente da República
Esta Associação de Moradores precisava muito de ser recebida por V. Excia para fazer prova de todas estas ilegalidades e do Calvário por que passou. Reconhece, no entanto, que V. Excia tem uma agenda demasiado sobrecarregada e que não pode receber todas as entidades ou cidadãos que o solicitem. Se não for possível receber os dirigentes, rogamos encarecidamente que seja exigida uma rápida reparação, por parte da Câmara e dos Departamentos referidos, às ilegalidades praticadas porque a população está revoltada com o que se passou e se não houver justiça, as pessoas que ocupam ilegalmente as casas, podem ser vítimas dessa revolta. A Associação de Moradores tem feito tudo para evitar conflitos mas reconhece que se não houver uma rápida reparação das injustiças cometidas pela Câmara, a sua intervenção pode não chegar para os evitar.
Confiando no alto sentido de justiça de V. Excia, ficamos a aguardar que a intervenção da Presidência da República possa contribuir para a solução deste contencioso com a Câmara Municipal de Lisboa, colocando-nos desde já à inteira disposição para prestar todos os esclarecimentos que sejam necessários.
Respeitosos cumprimentos.
A Camara, através do seu Gabinete Jurídico e acompanhado do Ofício nº 83/GVASB/08, de 19.02.2008, assinado pela Vereadora do Pelouro da Habitação Social, Ana Sara Brito, enviou ao Senhor Presidente da República o MEM2DMH/DGSPH/DGPHM/08, com data de 31.01.2008, assinado pela Jurista Teresa Faria de Sousa, em resposta às inúmeras questões que lhe foram colocadas pela AMBC.
Porém, o documento enviado pela Câmara, ao Senhor Presidente da República, continha uma série de inverdades, já repetidas noutras ocasiões que levaram a AMBC a fazer a reposição da verdade, através do ofício nº 161/AMBC, de 14.04.2008, com o mesmo título "HÁ SEMPRE UMA ÚLTIMA ESPERANÇA".
Exmo Senhor Presidente da República Portuguesa
A Associação de Moradores do Bairro das Calvanas (AMBC), recebeu o ofício 1996, de 13.03.2008, proveniente da Assessoria para os Assuntos Políticos da Casa Civil do Senhor Presidente da República, junto ao qual foi remetida cópia da resposta dada pela Câmara Municipal de Lisboa ao ofício 104/AMBC, endereçado a V. Excia em 05.12.2007, com o título “HÁ SEMPRE UMA ÚLTIMA ESPERANÇA”.
Essa resposta da Câmara com a referência MEM/2/DMH/DGSPH/DGPHM/08, datada de 31.01.2008 e assinada pela Exma. Jurista, Dr.ª Teresa Faria de Sousa, causou profunda indignação nos Corpos Sociais da AMBC, porque mais uma vez a CML apresentou os factos à sua maneira, sem ter em conta o que está consagrado no Protocolo e respectivas Alterações, bem como nos acordos pré-estabelecidos.
Não obstante a resposta da Câmara confirmar, em alguns casos, a razão da AMBC relativamente às queixas apresentadas a V. Excia, a gravidade de algumas afirmações contidas nesta resposta da CML, nomeadamente quando é referido o Senhor Meireles, a título individual, acusado de ter reservado algumas moradias para famílias que no âmbito do Protocolo em vigor não tinham direito à aquisição, a Associação de Moradores tem o dever de informar V. Excia da verdade e só da verdade, por ser esta a única forma de actuação desta Colectividade, ao longo dos seus 25 anos de existência e, ao mesmo tempo, solicitar ao Senhor Advogado que presta serviços à AMBC, a sua análise, para posterior exposição dos factos ao DIAP, com vista a eventual abertura de inquérito para procedimento criminal contra a CML, representada pela Exma Senhora Jurista, Drª Teresa Faria de Sousa.
Dizer ainda que o Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas (PRBC), nos moldes em que foi realizado, só foi possível graças ao importante trabalho desenvolvido pela AMBC, nunca desistindo dos seus objectivos, mesmo quando teve que enfrentar as mais absurdas e inesperadas vicissitudes. Ninguém ofereceu nada de espontânea e livre vontade à Associação de Moradores. Tudo quanto foi alcançado, foi conquistado com muita dedicação, trabalho, espírito de sacrifício e perseverança.

Senhor Presidente da República:
Porque uma boa parte das informações prestadas a V. Excia, não correspondem à realidade dos factos, a Associação de Moradores (AM), vai de seguida analisar cada um dos pontos da resposta da CML.
Sobre o parágrafo 3º da página 2, dizer que em resultado de uma posição de firmeza, assumida pela AM, algumas famílias sujeitas a realojamentos provisórios, receberam uma pequena ajuda da CML de 250 €; não pagaram as rendas técnicas que a CML, em princípio pretendia cobrar; foram cedidas temporariamente à AM duas lojas com cerca de 35/40 m2 cada, para guardar os haveres dos associados; algumas famílias, poucas, foram ajudadas com transporte da CML, na concretização da mudança.
Quanto ao parágrafo 4º da mesma página e 1º e 2º da página 3, pergunta-se: Se a AMBC possuía as instalações sociais e desportivas referidas no ofício 104, se o Bairro de Calvanas tinha 2 jardins infantis e a CML se comprometeu a dotar o novo Bairro com esses equipamentos, porque motivo se desresponsabilizou dessa obrigação? Com a transferência da Sede e Parque Desportivo para a nova freguesia, a AMBC teve prejuízos muito superiores ao montante da indemnização acordada (25.000 €). O mesmo aconteceu com os quatro comerciantes, a quem foram prometidas lojas com rendas acessíveis e colaboração na execução das obras necessárias mas isso não foi feito até ao momento, sendo os mesmos discriminados relativamente a outros comerciantes realojados na Musgueira Norte, Sul, Charneca e Quinta Grande.
Quanto aos parágrafos 3, 4, 5, 6 e 7 da página 3 e 1, 2 e 3 da página 4 que se referem às ilegalidades, a AM pode afirmar que negociou com a CML que todos os associados que não possuíssem uma 2ª casa dentro da Área Metropolitana de Lisboa (AML), tinham direito à aquisição de casa no PER 13. O que depois aconteceu, não respeitou o acordado. A alguns associados com uma 2ª casa fora da AML, foi-lhe negado o direito ao realojamento e a outros, possuindo uma 2ª casa dentro dessa Área, foi-lhe reconhecido esse direito. Sobre a análise destes casos, a Associação de Moradores não foi consultada, contrariando o que ficou acordado na reunião de Câmara de 08.01.2004, em que foi decidido que todos os casos de exclusão seriam objecto de análise entre a AMBC e a DMH/DGSPH.
Os Departamentos referidos no memorando enviado pela CML ao Senhor Presidente da República, nalguns casos, não consideraram associados, pessoas que a AMBC indicava como tal e noutros, consideraram associados, pessoas que de facto não lhes era reconhecida essa qualidade pela AMBC; fizeram atribuição de cinco moradias, embora apenas em três casos, as mesmas chegassem a ser habitadas e elaboraram documentos fundamentais, entre os quais a 1ª e a 2ª Alteração ao Protocolo, Proposta nº 562 para resolução dos casos dos associados a quem não foi reconhecido o direito de adquirir casa no PER 13 e o Contrato Promessa de Compra e Venda, sem dar qualquer conhecimento à AMBC. Esta apenas foi chamada, no final, para colocar a sua assinatura, sem direito a expressar a sua opinião. Se tal tivesse acontecido, esses documentos teriam salvaguardado os interesses da AMBC e dos seus associados, incluindo cláusulas sobre matérias que foram objecto de negociação entre a Colectividade e os diferentes Executivos Camarários.
Por exemplo, no Contrato Promessa de Compra e Venda, pode ler-se no nº 4 da Cláusula Quinta: “ caso, por motivos de força maior ou outros não imputáveis ao SEGUNDO OUTORGANTE (associado), a escritura definitiva não possa ser realizada no prazo de um ano, a contar da data da assinatura do presente Contrato Promessa, o SEGUNDO OUTORGANTE, ficará obrigado a reforçar o sinal no montante de 10% do preço da venda, o qual será deduzido, no final, ao valor de aquisição do imóvel”.
Veja-se: mesmo não tendo culpa, o associado é obrigado a pagar mais 10% do valor da casa, a juntar aos 20% já entregues no acto da assinatura do Contrato Promessa, antes de ter acesso ao crédito bancário pois este só se consegue com a apresentação da Escritura de Compra e Venda. Para quem já teve grandes dificuldades para arranjar o montante inicial, sem recurso ao crédito, a Câmara Municipal de Lisboa agravou ainda mais a situação com esta cláusula incompreensível.
No parágrafo 5º e 7º da página 3, a Senhora Jurista reconhece que está consagrado no Protocolo que “compete à AMBC indicar a forma de distribuição das moradias aos associados”. Então porque fez a Câmara, naqueles cinco casos, o que compete à AMBC, ignorando a sua existência e não cumprindo o que foi legalmente aprovado?
Por outro lado, no parágrafo 6 da página 3, a Senhora Jurista lembra também que “as famílias a realojar são as que constam da listagem da AMBC, conforme documento junto como anexo I e que faz parte integrante do presente Protocolo, após validação do seu direito a realojamento pelo Vereador da CML, com o Pelouro da Habitação”.
Sobre este ponto é necessário informar o seguinte: Ao longo do Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas (PRBC), da listagem primitiva de associados (154 famílias), enviada ao Senhor Arquitecto Valença Pacheco, do COPRAD, a CML excluiu 32 famílias do direito ao realojamento, por possuírem uma segunda habitação, presume-se, dentro da Área Metropolitana de Lisboa. Por falta de capacidade económica, 13 associados comunicaram à AMBC a sua desistência e conjuntamente com mais 12 famílias carenciadas, optaram pelo realojamento Social.
Na reunião de Câmara efectuada na Sala de Reuniões contígua ao Gabinete da Senhora Vereadora, Drª Helena Lopes da Costa, na Rua do Ouro, 59-5º, em Lisboa, no dia 04.07.2002, pelas 16 horas, com a presença da Senhora Vereadora, Senhora Directora Municipal, Senhor Administrador da SGAL, Senhor Director do COPRAD, Senhor Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar e Dirigentes da AMBC, a Senhora Vereadora solicitou à Colectividade, uma listagem actualizada dos associados e tipologias pretendidas. O Senhor Presidente da AMBC informou a Senhora Vereadora que para fazer a actualização da listagem, era necessário que a DMH/DGSPH entregasse à AM a listagem dos associados excluídos do direito ao realojamento. A Senhora Vereadora incumbiu então a Senhora Directora Municipal de elaborar esse documento e de o entregar à AMBC, o mais breve possível. A Senhora Directora informou que a listagem pretendida pela AMBC, podia ser entregue na próxima reunião. De facto, realizou-se uma nova reunião no dia 18.07.2002 e, depois desta, outras tiveram lugar mas a referida listagem só foi entregue à Associação de Moradores em 19.10.2006.
Em consequência, por falta de elementos, resultantes do incumprimento referido, a AMBC só pôde elaborar a listagem definitiva a partir de 19.10.2006, a qual foi remetida à Câmara Municipal de Lisboa (Direcção Municipal de Habitação), em 02.11.2006, acompanhada do ofício 261/AMBC, já com a atribuição das moradias aos associados.
Nesta listagem, criteriosamente actualizada, foram incluídas duas famílias associadas que não constavam da listagem anterior, por culpa da CML que demorou dois anos e quatro meses a notificá-las do Despacho da Senhora Vereadora de 28.06.2004 que aprovava o seu direito ao realojamento. Esta notificação foi enviada em 12.10.2006 quando na realidade deveria ter sido remetida nos trinta dias subsequentes à data do Despacho. Não sendo as referidas sócias culpadas de não terem entregue, em tempo oportuno, na Secretaria da AMBC, o indispensável comprovativo da Câmara (neste caso, cópia deste Despacho), reconhecendo o seu direito ao realojamento, a AMBC, por uma questão de equidade e justiça, deliberou em reunião de Direcção de 19.10.2006, com efeitos retroactivos, atribuir-lhes as habitações a que tinham direito e fê-las constar da listagem definitiva, como era sua obrigação. A Câmara não deu sequência ao que foi deliberado pela AMBC e estas associadas foram impedidas de receber as chaves na cerimónia de 01.02.2007, continuando à espera que se faça justiça.
Foi retirado desta listagem definitiva o nome de Luís Filipe Serapicos Abreu, por nunca ter legalizado a sua condição de associado e não residir no Bairro desde 1999. Porém, a CML atribuiu-lhe, ilegalmente, o lote 30 da malha 22.4, continuando este a residir no Bairro de Chelas, onde já vivia e onde partilha uma habitação com a sua companheira.
Também não foram incluídos os nomes de António Adalberto Macedo Correia Andrade, Maria Deolinda A. Pinto e Deolinda da Conceição S. Saraiva, por terem solicitado a sua exclusão de associados e terem informado a AMBC que estavam a negociar com a CML a compra das casas onde foram realojados provisoriamente, na Quinta dos Barros, ao abrigo do PER-Famílias. Também neste caso, a CML ignorou a vontade dos ex-associados e o que foi deliberado pela AMBC e atribuiu a estas famílias, ilegalmente, uma moradia no PER 13.
Sobre o 1º parágrafo da página 4, pontos nºs 1 e 2, a Câmara cometeu ilegalidades quando se substituiu à Associação de Moradores, fazendo atribuições de moradias já destinadas oficialmente e legalmente, pela AMBC aos seus associados, a pessoas que não eram associadas e que por conseguinte, embora a Câmara lhes reconheça o direito ao realojamento, não têm direito à aquisição de casa no PER 13. Em pelo menos três casos, a Câmara celebrou compromissos de realojamento com ex-associados, na Quinta dos Barros, ao abrigo do PER-Famílias; essas famílias pediram a exclusão de associadas, deixando de ter direito ao Processo de Realojamento conduzido pela AMBC.
Ponto 1 – A validação do direito ao realojamento pela CML, não confere, por si só, o direito de alguém adquirir casa no PER 13; isso só é possível se esse alguém é sócio da AMBC e integrou a listagem definitiva de atribuição de moradias, enviada à CML em 02.11.2006, com o ofício 261/AMBC. Tudo quanto foi feito pela CML em desobediência a este princípio, não tem validade.
Ponto 2 – Todas as moradias foram atribuídas com rigor e transparência pela AMBC e não pelo Senhor Meireles, respeitando os critérios de atribuição, aprovados por unanimidade, na Assembleia-Geral de 19.02.2001. Nenhuma decisão, ao longo da existência da AMBC foi tomada a título individual, pelo que a acusação feita é inadmissível e completamente falsa. Na AMBC, os Órgãos Sociais (Assembleia-Geral, Direcção e Conselho Fiscal), funcionam em conformidade com a Lei, de forma colegial e de acordo com o Estatuto e Regulamento Interno, aprovado por unanimidade pelos associados.
Mais se informa V. Excia que todas as famílias associadas a quem foram atribuídas habitações, tinham direito a realojamento, reconhecido pela Câmara e com os mesmos direitos à aquisição de casa no PER 13 dos restantes associados. O facto de os Departamentos ligados ao Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas, lhes terem negado o direito de adquirirem casa no PER 13, foi uma medida arbitrária, denunciada pela AMBC desde o primeiro momento, ao Senhor Presidente da Câmara e aos Senhores Directores dos Departamentos ligados ao Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas.
Parágrafo 2º e 3º da página 4 – Na listagem que faz parte do Protocolo como Anexo II, existem três dezenas de casos idênticos aos que foram rejeitados pela CML (aqueles que a Senhora Jurista diz que o Senhor Meireles lhes reservou casas) que tiveram direito à aquisição de casa no PER 13, a saber: filhos de titulares falecidos, filhos de titulares excluídos, cônjuges de titulares falecidos, cônjuges de titulares divorciados e desdobramentos. Desde sempre, a CML resolveu todos estes casos existentes no Bairro das Calvanas, sem qualquer dificuldade, através de processos administrativos, mas relativamente ao Processo de Realojamento, resolveu agir de forma diferente, criando grandes problemas e graves prejuízos aos associados atingidos. A Associação de Moradores soube agora por fonte não oficial porque a Câmara não dialoga com a AMBC, que todos os processos por aprovar referentes aos associados que tinham sido impedidos de adquirir casa no PER 13, foram aprovados em reunião de Câmara de 12.03.2008, deitando tal medida por terra, tudo o que é afirmado no ponto dois do parágrafo atrás referido, sobre a reserva de casas, pelo Senhor Meireles, para famílias que no âmbito do Protocolo em vigor, não tinham direito a aquisição. As casas, como se constata, foram bem atribuídas e desse facto a AMBC nunca teve dúvidas.
Parágrafo 4º da página 4 – Quanto aos 62 ofícios referidos, a AMBC gostaria que a Senhora Jurista referisse quantas respostas foram dadas. Mas como é afirmado que não são especificadas as datas… a AMBC vai remeter aos serviços da Câmara, os referidos ofícios.
Parágrafo 5º e 6º da página 4 – Finalmente, a Senhora Jurista, Drª Teresa Faria de Sousa, termina o Memorando com chave d’ouro, ao referir que “face às graves acusações de corrupção, prática de ilegalidades, favorecimento pessoal e incompetência dos Serviços, proferidas pelo Senhor Meireles quanto à actuação dos Dirigentes e do Corpo Técnico do DGSPH, estão a ser analisadas as medidas a tomar para reposição do seu bom-nome, designadamente a apresentação de queixa-crime” e depois transcreve parte do primeiro parágrafo da segunda página do ofício enviado a Sua Excelência o Senhor Presidente da República, com o título “HÁ SEMPRE UMA ÚLTIMA ESPERANÇA”.
Pelos vistos a Senhora Jurista fez uma interpretação inadequada do verdadeiro sentido contido no referido parágrafo e aqui de novo reproduzido: “Que há maus funcionários, irresponsáveis, incompetentes e corruptos que não cumprem os seus deveres e que tiram proveito dessas ilicitudes, nós não temos dúvidas; o que nos indigna e revolta é o facto de denunciarmos as ilegalidades e constatarmos que as pessoas que as praticaram ainda são defendidas e louvadas pelos superiores hierárquicos”.
A Senhora Jurista não tem conhecimento da existência de funcionários que fazem jus aos adjectivos qualificativos referidos? Todos os dias são noticiados na imprensa, escrita e falada, inúmeros casos que corroboram o que foi escrito no ofício da Associação de Moradores dirigido ao Senhor Presidente da República e assinado pelo seu Presidente da Direcção. A Senhora Jurista Drª Teresa Faria de Sousa, não ouviu o discurso proferido por Sua Excelência o Chefe de Estado, no 5 de Outubro de 2006, na Cerimónia das Comemorações dos 96 Anos da Proclamação da República, pedindo às Entidades Competentes um combate eficaz ao fenómeno da corrupção? Não tem seguido com a devida atenção as inúmeras acusações de corrupção do Senhor Bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Marinho Pinto?
E quanto ao fenómeno da corrupção, também não é menos verdade que muitas das denúncias feitas pelos cidadãos, não têm a correspondência necessária por parte de quem tem competência e autoridade para as investigar.
Esta Associação de Moradores sabe bem do que fala porque ao longo dos seus vinte e cinco anos de existência, tem feito inúmeras denúncias, de todo o género (insegurança, corrupção, injúria, calúnia, abuso de poder, ofensas físicas e verbais, droga, prostituição, etc.) e os resultados alcançados, foram francamente maus.
A Associação de Moradores, neste caso, constatou um facto de carácter geral, não se referindo a ninguém, em particular. Nesse sentido, a Colectividade aguarda com toda a tranquilidade as medidas que possam vir a ser tomadas pela Senhora Jurista, em representação da CML.
Excelência:
Esta Associação de Moradores já sabia, antecipadamente, qual seria a resposta da Câmara Municipal de Lisboa às queixas apresentadas a V. Excia, através do ofício 104/AMBC, de 07.12.2007 e adiantou mesmo esse prognóstico, no ofício nº 156/AMBC que enviou à Presidência da República, em 24.03.2008. Para quem lidou com os Serviços da Câmara Municipal de Lisboa durante os últimos 25 anos, não era difícil adivinhar tal desfecho.
De qualquer forma, esta Associação de Moradores, reconhecendo as limitações da Presidência da República, quer agradecer o empenhamento de V. Excia, pelo facto de ter solicitado que a Câmara se pronunciasse sobre as queixas apresentadas.
Respeitosos cumprimentos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Atribuição de nomes às Ruas no PER 13

Casualmente, a Associação de Moradores tomou conhecimento que a Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 05.12.2008, foi de parecer que fossem atribuídos aos arruamentos no PER 13, os nomes de Hein Semke, António Dacosta e António Duarte.
Como todos os associados bem se lembram, a AMBC, na Assembleia-Geral de 26.01.2007, aprovou uma proposta da Direcção que indicava três nomes para atribuir às Ruas no PER 13. Foi enviado um dossier, registado e com aviso de recepção, com cerca de 20 páginas à referida Comissão que nunca obteve qualquer resposta. É algum desse expediente sobre a atribuição de nomes às ruas do nosso Bairro que a seguir publicamos, para que os sócios saibam que a sua Associação tratou sempre de todos os problemas com enorme responsabilidade.
Exma Comissão Municipal de Toponímia
Divisão de Alvarás, Escrivania e Toponímia
Campo Grande, 25-1º B
1749-099 LISBOA


Ofício nº 28/AMBC +++ Bairro das Calvanas, 12.02.2007
Reg. c/ A. R.

ASSUNTO: - ATRIBUIÇÃO DE NOMES A RUAS NO PER 13
A Associação de Moradores do Bairro das Calvanas, em Assembleia-Geral de Moradores realizada no dia 26.01.2007, com a presença da quase totalidade dos sócios, aprovou por unanimidade e aclamação, as propostas da Direcção que pretende atribuir a três ruas do PER 13 (local de realojamento das famílias associadas de Calvanas), os nomes do Exmo Senhor Dr. Pedro Santana Lopes, ex-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ex- Primeiro Ministro; do Exmo Senhor Manuel do Carmo Meirelles, Presidente da Direcção da Associação de Moradores e o nome do Bairro das Calvanas.
Este processo foi sugerido, incentivado e acarinhado, desde a primeira hora, pelos associados que desejam ver atribuídos os nomes referidos, às Ruas do PER 13, pelas razões invocadas nas propostas da Direcção.
Para apreciação da Exma Comissão Municipal de Toponímia, esta Associação de Moradores junta cópia da Convocatória da Assembleia-Geral, acta, as três propostas da Direcção, Curriculum Vitae do Exmo Senhor Dr. Pedro Santana Lopes e alguns dados biográficos referentes ao Exmo Senhor Manuel do Carmo Meirelles.
Para qualquer esclarecimento que seja necessário, esta Associação de Moradores coloca-se, desde já, ao inteiro dispor de V. Excias.
Com os melhores cumprimentos.
Proposta da Direcção, aprovada por unanimidade na Assembleia-Geral Extraordinária de 26.01.2007, para atribuir a uma das ruas do PER 13, o nome do Exmo Senhor Dr. Pedro Santana Lopes.
É da mais elementar justiça que a Direcção da Associação de Moradores, para figurar numa das ruas do PER 13, proponha o nome de alguém que se empenhou pessoalmente, na concretização do Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas, honrando a sua palavra e cumprindo o que prometeu aos associados, no dia 1 de Outubro de 2001, no Salão Nobre da Sede da Associação de Moradores, em período de campanha eleitoral.
Não esquecer que a solução negociada com o anterior Executivo Camarário, previa a entrega das casas aos associados, durante o primeiro semestre de 2002, mas em Outubro de 2001 ainda não havia projecto, os terrenos para construção do Bairro ainda não estavam na posse da CML e, para desespero dos dirigentes da Associação de Moradores, ainda não havia sido elaborado qualquer documento pela CML (embora prometido sempre que havia reuniões), que garantisse o cumprimento das matérias acordadas entre as partes.
O ex-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Pedro Santana Lopes, para honrar a sua palavra, em alguns momentos teve que chamar alguns responsáveis pelo projecto ao seu gabinete e dar alguns murros na mesa, para que fossem executadas as suas ordens.
Esta Associação de Moradores foi tratada com respeito e dignidade pelo Senhor Presidente da Câmara que se preocupou em cumprir o que com ela acordou e, ao mesmo tempo, procurou também assumir os compromissos dos seus antecessores que não estavam devidamente salvaguardados.
Foi graças à sua intervenção no Processo e à enorme vontade de resolvê-lo que se celebrou o Protocolo entre a CML, a SGAL e a AMBC, em 24.06.2005, constando dele alguns aspectos importantíssimos, como a tabela de preços que havia sido negociada com o Senhor Vereador Vasco Franco e que não estava a ser considerada, por razões que escapavam à compreensão dos dirigentes da Associação de Moradores.
A proposta que a Direcção aqui trás para apreciação dos associados, é merecedora de todo o apoio porque se não fosse o Senhor Presidente da Câmara, Dr. Pedro Santana Lopes, de certeza absoluta que o Projecto ainda não estaria pronto e quando chegasse ao fim, se porventura algum dia fosse concluído…, as condições seriam bem mais penalizadoras para todos nós.
É por estas razões que a Direcção propõe à Assembleia-Geral para aprovação, como reconhecimento do seu grande empenho na resolução do Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas, o nome do Senhor Dr. Pedro Santana Lopes, ex-Presidente da Câmara e ex-Primeiro Ministro, para figurar numa das Ruas do PER 13 e para quem peço neste momento, mesmo não estando presente, uma grande salva de palmas.


Proposta da Direcção, aprovada por unanimidade na Assembleia-Geral de 26.01.2007, para atribuir a uma das ruas do PER 13, o nome do Presidente da Direcção, Senhor Manuel do Carmo Meirelles.

Sobre as razões de atribuir a uma das ruas do Per 13 o nome do Presidente da Direcção, Senhor Manuel do Carmo Meirelles, o Senhor Presidente da Mesa da Assembleia-Geral, disse o seguinte:
Se há alguém que mereça ter o seu nome gravado a letras de ouro, numa das placas que irão ser afixadas nas ruas do Per 13, é sem dúvida o nosso Presidente da Direcção, Senhor Manuel Meirelles.
Ele é merecedor disso e de muito mais, pelo extraordinário trabalho que realizou ao longo de duas décadas, à frente dos destinos da Associação, em benefício do Bairro e dos seus Moradores.
Ninguém seria capaz de aguentar tantas situações difíceis e ultrapassar tantos problemas que lhe foram criados ao longo do Processo de Realojamento, pelas Entidades com quem teve que negociar.
É um homem de grande carácter que sabe honrar os seus compromissos mas é, acima de tudo, um cidadão lutador, competente e altruísta que colocou essas suas qualidades ao serviço da Comunidade, sem nunca pedir nada em troca, desgastando-se com os problemas dos outros e prejudicando-se ao nível profissional, familiar e económico.
Viver no Bairro das Calvanas teria sido insuportável e desumano se o Senhor Meirelles não tivesse tratado das infra-estruturas mais elementares como a água, esgotos, arruamentos, electricidade, telefone, passagem superior na Avenida Santos e Castro, abrigos nas Paragens dos Autocarros da Carris, construção da Sede Social e do Parque Desportivo da Associação de Moradores e até a resolução de contenciosos antigos entre a CML e os moradores, em condições bastante favoráveis.
Graças ao Senhor Presidente da Direcção, os jovens puderam ocupar os seus tempos livres, de forma saudável, praticando desporto e a população em geral, pôde também divertir-se, participando nos inúmeros eventos de carácter recreativo e cultural, realizados pela Colectividade ao longo do ano.
Por outro lado, o Bairro das Calvanas teve um realojamento digno graças ao espírito lutador do Senhor Meirelles, que soube ser persistente e enfrentou todos os obstáculos com grande coragem e determinação.
É um Projecto único no País, com casas unifamiliares tipo duplex, de excelente construção e óptimos acabamentos, que vão proporcionar todo o conforto e bem-estar aos associados que acreditaram no Homem e no Projecto e souberam ter paciência e esperar o tempo que foi necessário para a sua conclusão.
Termino como comecei. Relativamente ao Realojamento do Bairro das Calvanas que agora se conclui com a entrega das casas aos associados, a pessoa que mais trabalhou e se esforçou para que isso acontecesse, foi o Senhor Meirelles e, portanto, apresento à Assembleia-Geral para aprovação, esta proposta da Direcção, com pleno acordo e reconhecimento dos restantes Órgãos Sociais da AMBC, propondo o nome do Senhor Presidente da Direcção, para figurar numa das Ruas do PER 13. Pela minha parte, é o mínimo que se pode fazer por alguém que dedicou uma boa parte da sua vida a defender os direitos de uma Comunidade sem nunca pedir nada em troca.
Neste momento, com alguma emoção, em meu nome e em nome de todos os associados, quero dizer-lhe: muito obrigado e que Deus lhe proporcione todas as recompensas que merece. Antes de terminar, peço aos presentes, para este Homem valoroso, uma grande salva de palmas.

Proposta da Direcção, aprovada na Assembleia-Geral de 26.01.2007, para atribuir a uma das ruas do PER 13, o nome do Bairro das Calvanas,

A Direcção da Associação de Moradores, interpretando a vontade dos seus associados, propõe a esta Assembleia que o nome do Bairro das Calvanas continue a fazer parte das nossas vidas, atribuindo-o a uma das ruas do PER 13.
E porquê RUA DE CALVANAS? Porque não soaria tão bem se utilizássemos o nome completo: Rua do Bairro das Calvanas. Assim, por uma questão prática e simplificadora, fica apenas o primitivo e verdadeiro nome do local, suficiente para nos lembrarmos do nosso Bairro das Calvanas.
Durante pelo menos 30 anos, a minha geração habitou este Bairro. No entanto, o Bairro de Calvanas existe há mais de sete décadas, tendo como verdadeiras as informações que nos foram prestadas pelas pessoas mais idosas que nele moravam quando ali chegámos, em meados da década de setenta.
Neste lugar se estabeleceram famílias oriundas dos lugares mais recônditos do País e do Mundo. Não esquecer que aqui habitaram pessoas que vieram de África, Ásia e América. Foram pessoas que num determinado momento difícil das suas vidas, recorreram ao Bairro das Calvanas para recomeçar uma vida nova.
E o Bairro, generoso e hospitaleiro, a todos recebeu de braços abertos, proporcionando-lhes a paz e a tranquilidade de que tanto necessitavam para colocar ordem nas suas vidas.
Este Bairro jamais poderá sair dos nossos corações.
Ele fará, muito justamente, parte das nossas recordações porque durante 30 anos fez parte das nossas vidas.
Agora que o seu tempo de vida está a chegar ao fim, todos temos consciência de que ele, o Bairro das Calvanas, cumpriu com galhardia e enorme brilhantismo tão nobre missão, colocando o seu espaço geográfico ao serviço de famílias necessitadas e muitas delas em situação de desespero, basta recordar em que condições aqui chegaram as famílias retornadas.
Ao recordar esse passado, muito difícil para todos nós, é com muito carinho e emoção que proponho o nome do nosso Bairro para figurar numa das ruas do PER 13, como forma de eternizar o seu nome.

Como atrás se disse, a Comissão Municipal de Toponímia não deu qualquer resposta ao expediente enviado e, mais tarde, procedeu da mesma forma relativamente ao ofício nº 61/AMBC, de 03.05.2007, sobre o mesmo assunto, ofício que se publica a seguir, bem como o ofício nº 260/AMBC, de 05.02.2009, contestando um dos nomes.

Exma Comissão Municipal de Toponímia
Divisão de Alvarás, Escrivania e Toponímia
Campo Grande, 25-1º B - 1749-099 LISBOA

Ofº nº 61/AMBC +++ Urbanização da Alta de Lisboa, 03.05.2007

ASSUNTO: - ATRIBUIÇÃO DE NOMES ÀS RUAS DO PER 13
Em 12.02.2007, dando sequência à vontade manifestada pelos seus associados, a Associação de Moradores enviou a V. Excias um processo para atribuição de três nomes a ruas situadas no local onde se encontra realojada a população de Calvanas.
Esta é uma vontade da população de Calvanas que gostaria de ver assim distinguidas as pessoas que mais contribuíram para que o projecto de construção de um novo Bairro se transformasse em agradável realidade. No caso do Dr. Pedro Santana Lopes, porque como Presidente da Edilidade, se empenhou profundamente na concretização do Projecto e no que diz respeito ao Senhor Manuel Meirelles, porque durante quinze anos lutou e acreditou no que ninguém acreditava e se tornou no principal responsável pelo sucesso alcançado.
Até ao momento, a Exma Comissão não nos forneceu qualquer informação, motivo pelo qual nos dirigimos de novo a V. Excias, lembrando o assunto.
Claro que para esta Associação de Moradores seria gratificante ver o nome do seu Presidente da Direcção gravado na placa de uma das ruas, como reconhecimento do extraordinário trabalho desenvolvido em prol da Comunidade. Do mesmo modo, seria também motivo de grande satisfação ver gravado numa das ruas, o nome de um Homem que na qualidade de Presidente da CML, honrou a sua palavra: prometeu e cumpriu.
Mas o que para o povo de Calvanas tem lógica, é importante e absolutamente merecido, nada nos impede de compreender que para essa Digníssima Comissão de Toponímia, tal conceito não tenha a mesma dimensão e, por consequência, o mesmo valor.
Felizes daqueles que em vida gozaram do grande privilégio de ver reconhecidos os seus méritos. Somos frontalmente contra as homenagens póstumas e não suportamos o facto de assistir ao caricato de ver aqueles que em vida injuriaram, maltrataram e agrediram o morto, tecer-lhe os maiores elogios.
Para nós, basta o reconhecimento das populações que beneficiaram do nosso trabalho e a satisfação pessoal do dever cumprido.
Mas depois de tudo isto, a vida não pode parar e há uma coisa que é necessário fazer com urgência: atribuir nomes definitivos às ruas, sejam eles quais forem. A situação tal qual como está, causa grandes transtornos aos residentes, quer no que diz respeito à correspondência, quer ainda na actualização de documentos, etc.
Depois, esta Associação de Moradores entende que é credora de uma resposta, mesmo que sejam apenas três simples palavras porque achamos que toda a carta tem resposta. Este tem sido o nosso procedimento ao longo de toda a existência: nenhuma correspondência fica sem resposta.
Com os melhores cumprimentos.

Exma Comissão Municipal de Toponímia
Divisão de Alvarás, Escrivania e Toponímia
Campo Grande, 25 – 1º B
1749-099 LISBOA

Ofício nº 260/AMBC + Urbanização da Alta de Lisboa, 05.02.2009

ASSUNTO: - PROCESSO DE ATRIBUIÇÃO DE NOMES A RUAS NO PER 13
A Associação de Moradores do Bairro das Calvanas teve conhecimento, através da Junta de Freguesia da Charneca que em reunião de 05.12.2008, a Comissão Municipal de Toponímia foi de parecer que fossem atribuídos aos arruamentos do PER 13, designados por Rua I 1B das malhas 22.4 e 27.1, Rua I da malha 22.4 e Rua Interior da Malha 27.1, os seguintes topónimos, respectivamente: RUA HEIN SEMKE, RUA ANTÓNIO DACOSTA E RUA ANTÓNIO DUARTE.
Esta Associação de Moradores, sem querer interferir no trabalho dessa prestigiada Comissão, não pode deixar de fazer o seguinte reparo: O Bairro onde vão ser atribuídos os nomes propostos, é constituído por uma população de fracas habilitações académicas e já com uma média de idades acima dos 50 anos. O primeiro nome sugerido (Rua Hein Semke), acarretará a essas pessoas uma séria dificuldade na sua pronúncia e, por isso mesmo, causar-lhes-á problemas sempre que necessitem de identificar o seu local de residência.
Pelo ofício 28/AMBC de 12.02.2007, registado e com aviso de recepção, esta Associação enviou um dossier com cerca de 20 folhas, onde sugeria alguns nomes de pessoas para essas ruas, aprovados em Assembleia-Geral de Moradores, por se terem empenhado muitíssimo na concretização do Projecto de construção do Bairro.
Embora este ofício nunca tenha merecido qualquer resposta, o mesmo tendo acontecido ao ofício 61/AMBC de 03.05.2007, sobre o mesmo assunto, voltamos a pedir urgência na atribuição dos nomes às referidas ruas, pelo transtorno que causa aos residentes tal situação e, se possível, a alteração do nome atrás referido, para facilitar a vida das pessoas e evitar que a colocação da placa venha a ser objecto de contestação.
Pela parte da Associação de Moradores e dos seus dirigentes, houve sempre grande disponibilidade para cooperar e ajudar na resolução dos problemas que lhe dizem respeito e outros mas incompreensivelmente, as Entidades a quem altruisticamente oferece essa vontade de cooperar, rejeitam-na sistematicamente e nem sequer dão resposta aos seus ofícios.
Pela nossa parte, achamos este procedimento incorrecto mas na verdade isso de pouco vale porque há uma cultura arraigada neste País de tratar de forma diferenciada, entidades e pessoas, consoante o seu estatuto social. Nesse capítulo, aceitamos que se trata de uma muito modesta Associação de Bairro, sem peso social, económico ou político mas em contrapartida, reconhecemos-lhe uma existência idónea, íntegra e solidária, cujo papel tem sido ajudar e defender os mais desfavorecidos, aqueles que não têm voz, fazendo valer os seus direitos. Em circunstâncias tão difíceis, é justo dizer que os resultados do trabalho realizado por esta modesta Associação de Bairro, é de facto motivo de grande orgulho e enorme satisfação para todos os seus dirigentes e associados.
O Bairro a que agora se pretende atribuir nome às ruas, ficou construído no 3º trimestre de 2006 e por culpa exclusiva dos Serviços Administrativos da Câmara que atrasaram a documentação necessária, as casas só foram entregues em 01.02.2007 e, neste momento, são decorridos dois anos sobre a data em que as famílias associadas tomaram posse das mesmas. Desde então, muitas pessoas têm tido problemas com a actualização dos seus documentos e de uma forma geral tem havido grandes dificuldades na distribuição de correio e na identificação do local por parte de quem necessita de se deslocar ao Bairro para prestar os mais diversos serviços.
Nesse sentido e para evitar mais danos, é urgente dotar as ruas com os nomes definitivos e, como atrás se referiu, embora não tendo nada, mesmo nada, contra a memória do escultor Hein Semke, solicitamos que seja escolhido um nome que seja fácil pronunciar e memorizar, pelos motivos atrás referidos.
Com os melhores cumprimentos.

Como foi através da Junta de Freguesia da Charneca que a AMBC teve conhecimento desta deliberação da Comissão Municipal de Toponímia, foi enviado à Senhora Presidente o ofício 261/AMBC, de 05.02.2009, solicitando-lhe que interceda junto da Comissão para que seja alterado o nome do escultor Hein Semke. E sobre esta matéria, a AMBC pensa ter feito o que lhe competia, pelo que a partir deste momento, dá o assunto por encerrado.


Exma Senhora Presidente
Da Junta de Freguesia da Charneca
Drª Maria da Graça R. P. Ferreira
Campo das Amoreiras
1750-025 LISBOA


Ofício nº 261/AMBC/09 +++ Bairro das Calvanas, 05.02.2009

ASSUNTO: - Atribuição de nomes às Ruas no PER 13.
Sobre a atribuição dos nomes às Ruas no PER 13, esta Associação de Moradores enviou à Comissão Municipal de Toponímia o ofício nº 260/AMBC, de 05.02.2009, discordando de um dos nomes propostos (Hein Semke), pelos motivos expostos no mesmo e do qual remete uma cópia para conhecimento de V. Excia.
Esta Associação de Moradores gostaria que a Junta de Freguesia da Charneca, através dos seus Órgãos, se pronunciasse relativamente a este assunto, de acordo com o seu ponto de vista, contribuindo, se possível, para a substituição do referido nome.
Com os melhores cumprimentos.

Principais causas da fundação da AMBC

A Fundação da Associação de Moradores do Bairro das Calvanas, cuja escritura de constituição foi lavrada no 7º Cartório Notarial de Lisboa em 17.06.1983 e publicados os seus Estatutos no Diário da República, nº 156-III Série, em 09.07.1983, nasceu da imperiosa necessidade de dotar o Bairro de condições dignas de habitabilidade para as cerca de três centenas e meia de famílias que nele residiam, oriundas dos mais recônditos e diversos locais de Portugal e também, na sua maior parte, provenientes das ex-Colónias, de onde regressaram após um desastroso processo de descolonização, em situação muito precária.
De notar que o Bairro era desprovido de qualquer equipamento social e não tinha luz eléctrica, telefone, água, esgotos e arruamentos e a vida era extraordinariamente dura e pesada para os seus habitantes que tinham que ir buscar e carregar toda a água que consumiam nas suas casas a várias centenas de metros de distância e fazer a sua vida nocturna recorrendo a candeeiros de gás. Os esgotos corriam a céu aberto e as crianças brincavam junto aos charcos fétidos e nauseabundos, um verdadeiro atentado contra a saúde pública que punha constantemente em risco a sua saúde.
Foi devido a este insuportável estado das coisas que o cidadão e morador do Bairro, Manuel Meirelles, também ele vítima inocente de uma descolonização "exemplar", se disponibilizou para fundar uma Associação de Moradores que fosse dotada de capacidade e legalidade para poder denunciar e reivindicar junto das entidades competentes, uma solução urgente para os gravíssimos problemas do Bairro, percorrendo a partir daí um longo e difícil caminho na mobilização das pessoas e na obtenção da documentação necessária para a formação da Associação.
Depois desse caminho percorrido que não foi fácil, o cidadão Manuel Meirelles, para além do papel relevante que teve na fundação da AMBC, foi também seu sócio fundador nº 1 e seu primeiro Presidente da Direcção, estando ligado a todas as realizações importantes levadas a cabo pela Colectividade, realizações essas que fazem parte da sua história e que pretendemos dar a conhecer, o mais pormenorizadamente possível, neste espaço privilegiado da Internet, ao alcance de todos, criado com essa finalidade.
Toda a história da AMBC é digna de ser publicada e a seu tempo acontecerá mas como o presente é muito mais importante e o futuro também não espera, pretendemos, a partir de agora, dar conhecimento aos nossos associados e população em geral, da realidade presente e do trabalho que a Associação de Moradores continua a desempenhar, na defesa do Bairro e dos seus moradores.